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Direcional e LPS caem após 2T, enquanto Cury tem dia volátil: o que mercado achou?
Resumo:Cancelamentos pressionam Direcional, despesas afetam LPS Brasil e margem bruta favorece Cury após balanços
As ações da Direcional (DIRR3) e LPS Brasil (LPSB3) figuram entre os destaques negativos do pregão desta quarta-feira (12) após divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26). Já os papéis da Cury (CURY3) que também abriram em baixa, passaram a opera com leve alta, mas logo voltaram a ter leves perdas.
Às 12h18 (horário de Brasília) desta quarta-feira (12), DIRR3 recuava 3,63%, a R$ 10,61, enquanto a LPSB3 caía 1,43%, a R$ 1,38. Já a CURY3 tinha leve baixa de 0,92%, a R$ 31,21.
No caso da Direcional, o Goldman Sachs já esperava uma reação neutra a negativa das ações após os resultados.
O banco explica que apesar da receita e o lucro bruto tenham ficado, de modo geral, terem vindo dentro do esperado, o impacto dos cancelamentos elevados recentemente pressionou as despesas com vendas, que vieram acima das estimativas.
Em conjunto com despesas operacionais também maiores que o esperado, isso levou a um lucro líquido 16% abaixo da projeção do Goldman Sachs e 11% inferior ao consenso da Bloomberg.
Direcional (DIRR3) vê normalização da demanda após queda causada pela Copa
O grupo anunciou na véspera um lucro líquido de R$202 milhões no segundo trimestre, crescimento de 9,7% sobre o resultado apresentado um ano antes
“Os cancelamentos são, em grande parte, resultado da estratégia da companhia para mitigar o impacto de financiamentos regionais não pagos. Nesses casos, a Direcional cancela as compras inadimplentes e posteriormente revende os imóveis”, comenta o Goldman Sachs.
Apesar do lucro abaixo do esperado, que levou a um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 36%, ante estimativa de 43%, o Goldman Sachs viu uma melhora na alavancagem, que caiu 6 pontos percentuais, para 18%.
O JPMorgan também projetava uma reação negativa das ações da Direcional após o lucro líquido ficar 8% a 11% abaixo das expectativas do banco.
Além disso, o banco destaca o fato de ser o primeiro trimestre desde 2024 em que a companhia não apresentou melhora na margem bruta.
Já o Bradesco BBI tem leitura levemente negativa para a ação no curto prazo, dado o lucro abaixo do esperado e a possibilidade de que a incerteza ligada ao período eleitoral mantenha o sentimento mais pressionado até maior visibilidade sobre as tendências do 3T26.
Ainda assim, analitas do BBI não esperam revisões significativas nas estimativas, já que os principais indicadores operacionais seguem saudáveis. Os lançamentos somaram R$ 1,57 bilhão em VGV no 2T26, alta de 12% em base anual, enquanto as vendas alcançaram R$ 1,37 bilhão, crescimento de 6% no comparativo anual. A velocidade de vendas ficou em 23%, com queda frente ao ano anterior, e os distratos subiram para 16,6% das vendas brutas.
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Cury (CURY3)
Por outro lado, o Goldman Sachs esperava uma reação neutra a positiva das ações da Cury, uma vez que o trimestre ficou ligeiramente acima das suas expectativas. Apesar disso, as ações registravam volatilidade.
A receita de R$ 1,7 bilhão e o lucro bruto de R$ 668 milhões vieram 3% e 4% acima, respectivamente, das estimativas do banco. O resultado bruto foi beneficiado por uma margem bruta de 39,5%, 50 pontos-base acima da sua projeção, favorecida pelos preços praticados pelas unidades.
O lucro líquido veio um pouco mais fraco, 3% abaixo da estimativa banco, devido a despesas financeiras maiores que o esperado.
De modo geral, a melhora da margem bruta foi uma surpresa positiva. A companhia também anunciou R$ 190 milhões em dividendos, equivalente a um dividend yield de 8%.
Para JPMorgan, Cury apresentou um trimestre abaixo do esperado, principalmente devido ao resultado financeiro líquido, que ficou negativo em R$ 22 milhões, ante estimativa do JPMorgan de R$ 11 milhões negativos. Com isso, o lucro líquido foi de R$ 270 milhões, 9% abaixo da projeção do banco e 5% inferior ao consenso.
Do lado positivo, a margem bruta ajustada melhorou 50 pontos-base na comparação trimestral, para 39,8%, ficando 30 pontos-base acima da estimativa do JPMorgan. Na avaliação do banco, isso ajuda a reduzir as preocupações sobre o impacto da inflação sobre as margens.
Já o Itaú BBA classifocou os resultados da Cury como sólidos, com margem bruta 50 pontos-base acima da estimativa, em uma surpresa positiva. O resultado foi parcialmente compensado por maiores despesas com vendas, mas o lucro por ação (EPS) e o fluxo de caixa livre (FCF) ficaram em linha com as projeções.
A companhia elevou os preços dos imóveis para compensar a expectativa de aumento dos custos de construção após a alta dos materiais ligados ao petróleo, em meio ao conflito entre EUA e Irã. Como a inflação dos custos de construção acabou sendo menos intensa que o esperado, sem efeitos secundários relevantes até agora, os reajustes ajudaram a recuperar as margens da carteira de pedidos aos níveis anteriores ao choque.
O Bradesco BBI, por sua vez, avaliou os resultados da Cury como neutros, considerando que os números ficaram em linha com as expectativas e não trouxeram gatilhos relevantes para revisão das estimativas.
Apesar do aumento das despesas comerciais, o movimento refletiu o ritmo mais acelerado de repasses e registros, que também contribuiu para a forte geração de caixa da companhia.
LPS Brasil
Na avaliação do Itaú BBA, a LPS Brasil apresentou resultados fracos no 2T26, com o lucro líquido caixa caindo de R$ 8 milhões no 2T25 para R$ 1 milhão neste trimestre, enquanto a participação nos lucros da CrediPronto recuou 19% na comparação anual, impactada por despesas maiores.
O EBITDA somou R$ 12 milhões, queda de 28% em um ano e 20% abaixo da projeção do banco. A margem EBITDA ficou em 23%, contra nossa estimativa de 29%, impactada por custos e despesas operacionais maiores, que ficaram 13% acima do esperado.
Diante de um cenário macroeconômico mais desafiador e de juros elevados, o Itaú BBA disse preferir permanecer à margem da ação e considera que há outras empresas com uma relação risco-retorno mais favorável no segmento de habitação de média e alta renda.
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