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Temporada do 2T pode reforçar aposta em Bolsa brasileira barata, aponta Bradesco BBI
Resumo:Banco mantém Brasil como principal escolha na América Latina e vê combinação de lucros em alta, valuations descontados e expectativa de cortes de juros como suporte para as ações no segundo semestre
A proximidade da temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) pode servir como um novo teste para a Bolsa brasileira, mas também como uma oportunidade para investidores explorarem ações que ainda negociam em níveis historicamente descontados. É essa a avaliação do Bradesco BBI, que mantém o Brasil como sua principal aposta entre os mercados latino-americanos, com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado).
Em relatório, a equipe de estrategistas liderada por Pedro Grimaldi destaca que as empresas brasileiras devem apresentar um crescimento expressivo dos lucros no segundo trimestre de 2026, impulsionado principalmente pela recuperação dos setores ligados a commodities e pela resiliência da atividade doméstica. A projeção é de avanço de 38% nos lucros estimados do MSCI Brazil em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o banco, as companhias de commodities devem liderar os resultados. Para setor de petróleo e gás, espera-se crescimento de 119% nos lucros, enquanto materiais básicos, segmento que inclui mineradoras, pode apresentar alta de 78%, beneficiado pela combinação entre preços mais elevados das commodities e uma base de comparação fraca no segundo trimestre de 2025. Por outro lado, os preços spot (à vista) mais baixos observados recentemente podem significar menos suporte e uma deterioração nas revisões de lucros no segundo semestre de 2026.
Mas não são apenas as exportadoras que sustentam a visão positiva. Apesar da taxa de juros ainda elevada, o Bradesco BBI projeta crescimento próximo de 20% para os lucros das empresas voltadas ao mercado doméstico.
Entre os setores domésticos, as empresas de utilities (como concessões, energia e saneamento) devem liderar o avanço dos resultados, com crescimento estimado de 53%, enquanto consumo discricionário aparece como o principal destaque negativo, com previsão de queda de 24% nos lucros.
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O banco também chama atenção para a melhora das revisões de resultados ao longo de 2026. As estimativas de lucro para o MSCI Brazil acumulam alta de cerca de 24% no ano, movimento que vai além do impacto das empresas de petróleo e gás. No segmento doméstico, as previsões avançaram aproximadamente 9%, com destaque para o setor de consumo discricionário, que registrou forte revisão positiva após o mercado ter adotado um cenário excessivamente pessimista para a economia brasileira no início do ano.
Além dos fundamentos corporativos, os estrategistas veem uma possível oportunidade adicional na curva de juros brasileira. Na visão do Bradesco BBI, o mercado passou a precificar um cenário excessivamente conservador para a política monetária, embutindo juros próximos de 14% por um período prolongado. A casa, porém, espera continuidade do ciclo de cortes moderados da Selic, apoiado pela resiliência do real e pela dissipação de choques temporários de inflação.
Caso esse cenário se confirme, o impacto para a Bolsa seria duplo: taxas menores tendem a elevar os múltiplos das empresas ao reduzir o custo de capital e também favorecem um retorno gradual dos fluxos de investidores locais para o mercado acionário. Segundo o banco, os primeiros sinais dessa movimentação já começaram a aparecer com a redução da pressão vendedora dos investidores institucionais domésticos.
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Outro argumento apresentado pelo BBI é que o mercado brasileiro continua entre os mais baratos do mundo em termos de valuation. Além disso, o Brasil ocupa uma posição estratégica para investidores globais, servindo como uma alternativa de diversificação para carteiras atualmente concentradas em ações de tecnologia e inteligência artificial em mercados asiáticos e nos Estados Unidos. O perfil mais ligado a valor, commodities e dividendos funciona como uma espécie de proteção para investidores emergentes.
Por outro lado, os estrategistas alertam que a volatilidade deve aumentar à medida que se aproxima o ciclo eleitoral de outubro. Com isso, o ambiente tende a se tornar menos dependente de fatores macroeconômicos e mais guiado pela performance individual das empresas, favorecendo uma estratégia focada na seleção de ações.
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